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Índice Saber Reciclar Blueotter - Pandemia manteve quantidade de resíduos produzidos pelas famílias

2020/10/6

Foi lançado mais um Índice Saber Reciclar - Blueotter. Neste estudo publicado pela TSF e JN, procurou-se avaliar o impacto do covid na produção de resíduos durante o período de férias.

Apesar de muitos trabalhadores terem estado em teletrabalho e de o funcionamento dos restaurantes e cafés ter sido severamente limitado, reduzindo a quantidade de refeições feitas fora de casa, mais de metade dos portugueses (55%) assegurou ter produzido tantos resíduos domésticos quanto antes da pandemia. Esses resíduos tiveram como principal destino os centros de recolha diferenciada, para serem reciclados, dizem os inquiridos.

Foi sobretudo no Norte e no Centro que os meses passados confinados em casa não se traduziram em mais resíduos. Foi essa a resposta dada por 79% das pessoas com mais de 65 anos, por 68% de quem pertence a uma classe económica baixa e 57% das mulheres. É este, também, o perfil de quem valoriza a importância da reciclagem de lixo doméstico. No global, 75% dos inquiridos dizem que é "muito importante" e 23% que é "importante".

O grau de relevância dado pelos portugueses à reciclagem tem espelho na resposta a uma pergunta sobre até que ponto a separação do lixo feita em casa pode tornar o planeta mais saudável. Os inquiridos dão 17,5 valores ao impacto da reciclagem na saúde da Terra. Este indicador é medido numa escala de 0 a 20, em que 0 significa que não tem qualquer importância e 20 que tem toda a importância. A nota é semelhante qualquer que seja a região do país onde vivem, a idade, o género ou a classe social.

Menos relevante é o impacto nas alterações climáticas. Aqui, os inquiridos dão 16,5 valores, com as mulheres a atribuírem mais importância do que os homens.

Quanto à redução da emissão de gases para a atmosfera, que estão a fazer subir a temperatura média do planeta, na mesma escala de 0 a 20, os inquiridos classificam a importância da reciclagem com um 16 redondo. De novo, são as mulheres quem dão mais mais importância ao contributo que a reciclagem dá à diminuição da emissão de gases com efeito estufa.

A importância atribuída pelos inquiridos é menor quando se fala de postos de trabalho: em média, os inquiridos situam a sua resposta em 15,3 - ainda assim claramente uma apreciação elevada, apesar de menor do que a avaliação sobre o impacto para o planeta. Neste indicador, são as classes económicas mais baixas quem encontra na reciclagem uma saída profissional: a classe C2 e D dá uma nota superior a 16 à noção de que a separação de lixos feita em casa pode ajudar a criar emprego.

Ainda em matéria de trabalho, mais de metade dos inquiridos (55%) entende que os profissionais da recolha correm riscos, por lidarem com resíduos desconhecidos. Ainda, 38% respondem que correm algum risco. Só 5% acreditam que correm poucos riscos.

Sobre o desempenho das equipas que recolhem lixo ou fazem limpeza, a nota é mediana: 39% dizem que o seu desempenho é razoável, 37% dizem ser bom e apenas 13% respondem muito bom. A classificação má ou muito má é dada por 8% ou 2%, respetivamente. As famílias da Área Metropolitana de Lisboa são as mais insatisfeitas: 5% dizem que o serviço é muito mau.

Note-se que a avaliação feita agora é pior do que a de maio, quando uma primeira sondagem fez esta pergunta. Na altura, as respostas foram: 21% é razoável, 49% bom e 24% muito bom.

Mistura do conteúdo dos contentores nos camiões e preguiça são razões invocadas por quem não separa lixo.

As embalagens são os resíduos mais separados para reciclagem. Quase todos os inquiridos (96%) garantem separar as embalagens de vidro e de plástico e 95% fazem-no para papel e cartão. A percentagem baixa para 85% quando se fala de pilhas e para 79% em roupa velha. No fundo da lista estão os restos de óleos alimentares, mais ainda assim mais de metade dos inquiridos (58%) assegura que leva os óleos sobrantes para contentores apropriados.

Do total de inquiridos, 91% asseguram separar o lixo e utilizar os ecopontos. A minoria que não o faz invoca duas principais razões: já viu o camião de recolha misturar os resíduos no mesmo contentor (22%) ou entende que separar o lixo em caixotes diferentes dá demasiado trabalho (21%). Há ainda 8% de pessoas que dizem não ter ecopontos próximo de casa e 4% que não encontram em casa espaço para caixotes diferenciados ou que não acreditam que as empresas, efetivamente, separem o lixo, no momento de o reciclar em levar para aterro ou incineração.

No global, 85% das pessoas concordam ou concordam totalmente que, em sua casa, fazem separação de lixos, ainda que básica. Por regiões, 51% das pessoas do Norte concordam totalmente com esta afirmação - mas só 30% dos habitantes da Área Metropolitana do Porto.

O hábito de separação de resíduos mantém-se mesmo quando as pessoas vão de férias. Dos inquiridos, 28% descansaram em locais próximos de ecopontos e, desses, 92% separaram o lixo e deixaram-no no contentor adequado.